segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Glosas mariodeandradeanas - Música, doce música, breve introdução.

Como plataforma de prática de escrita, converto aqui o blog que antes pairava sobre o universo da ideia, para um conteúdo concreto e substancialmente real, o da pesquisa.
As glosas que pretendo agora comentar são construídas na base da leitura do título Música, doce música de Mário de Andrade.
A trajetória do livro demanda uma explicação à parte. Idealizado em 1933, o livro Música, doce música é uma seleção de artigos variados publicados ao longo da trajetória de Mário de Andrade enquanto crítico musical. Num recorte de aproximadamente 20 anos, entre o período de 1924 à 1944, o livro traz fragmentos de um pensamento vivo, inquieto e absolutamente coerente com seu tempo. A  primeira edição do livro, datada de 1933, é apresentada pelo próprio autor na Introdução. 

"Das centenas de estudos, artigos, críticas, notas musicais que tenho publicado em revistas, diários, ajunto agora em livro esta primeira escolha. São os milhores ? Em geral creio que são. Mas sei que não valem muito... Sou excessivamente rapído nestes trabalhos jornalísticos. Nunca lhes dei grande cuidado, escrevo-os sobre o joelho no intervalo das horas, destinando-os à existência dum só dia(...) Se a literatura musical brasileira fosse vasta, eu não publicaria este livro. Porém muitas vezes tenho sofrido nos olhos dos meus discípulos a angústia dos que desejam ler." ( Mário de Andrade, Introdução).


As edições seguintes são póstumas. Oneyda Alvarenga não mede esforços na reorganização e no trabalho arqueológico que é conferir ao livro, mais uma série de artigos que deveriam ser revisados e anexados anovas publicações das série de obras completas de Mário de Andrade. Recebem o nome de artigos novos.
Não vou adentrar as questões metodológicas e minucias processuais, aqui me interessam comentários críticos e percepções minhas ao longo das leituras, bem como estabelecer algum tipo de diálogo com o suporte bibliográfico teórico, no mais tradicional academicismo. 

Tudo que em Mário de Andrade parece fazer alusão a construções idílicas, concatenações de plano espiritual no que diz respeito às percepções de um mundo posto a prova "psicologicamente", deve ser saboreado em todas as suas instâncias, de forma intensa e coerente. Digo com isso que se faz necessária uma leitura e apreensão completa das suas determinações, postando-se à prova da plena compreensão do determinado texto, em sua ampla existência enquanto entidade em si e logo em seguida posta em sua referencial processualidade histórica. Evitaremos assim, incorrer em interpretações "plurifacetadas" em que pese a contrapartida do comprometimento do historiador em trilhar caminhos investigativos concretos, imanentes, em pleno diálogo com o ser social vivo, pleno em sua vivência orgânica, na positivação do seu arte-fazer explorando suas potencialidades por meio de seu trabalho.

Dito isto, espero ,jamais encerrar, mas mirar um horizonte onde se plasme teoria e mundo real, na certeza de que a contribuição é efetivamente posta à prova a medida que tiramos do plano da ideia nossas angustias e inquietações, transformando-as em material de questionamentos e análises, desvelando continuidades, rupturas, ocultações e processos de um pensamento que jamais se esgotará em vista das ricas e infindáveis questões que nos surgem no tempo presente.







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