segunda-feira, 31 de março de 2014

Texto sobre música.

Recebi um convite para escrever sobre música em um blog que ainda não foi lançado. Por hora, vou divulgar o texto por aqui. Espero que gostem. Opinem !

Olá caros amigos,

Recebi o convite para escrever quinzenalmente uma coluna abordando um tema que sou completamente apaixonado. Intriga, inquieta e impressiona a cada momento, música.
A missão de discursar sobre música é algo que sempre tive muito interesse. Poder multiplicar uma visão tão subjetiva e sujeita-la as transformações coerentes e ímpares de cada indivíduo, é o que inflama cada vez mais a chama da música dentro de meu ser.
Entender a música sobretudo como discurso, representação de um período, manifestação de uma sociedade, reflexo de um pensamento é o ponto de partida para que possamos "aprender a ouvir música".  É interessante pensar que ouvir música compreende uma atividade muito mais complexa que apenas "escuta-la". 
Constantemente nos deparamos com jargões padronizados endeusando limitados gêneros musicais, a citar alguns exemplos como clássicos da música erudita, bossa nova e jazz em detrimento a qualificação "submusical" dos gêneros populares, na sua composição mais pura de discurso , caso do sertanejo, axé, rap e tantas outras temáticas populares. 
Engajados ou não, gêneros e discursos distintos não fazem da representação artística, mais ou menos "musical".
É importante pensarmos que por trás de "cada bolinha preta" escrita no papel ou cada som que saí de um violão, traz implícito uma força social/política muito grande. Se ouvirmos os acordes iniciais de Alegria, Alegria de Caetano Veloso, as guitarras distorcidas, baixo e bateria executam quatro vezes uma cadência de três acordes dissonantes até que a letra se inicie. As repetições, o discurso agressivo cantado de forma doce, a instrumentação utilizada, tudo isto tem uma ligação atribuída ao discurso do compositor. 
Outro exemplo interessante é a celebre 5ª Sinfonia de Beethoven em Dó menor. Trata-se de uma música subversiva. Um discurso de revolução feito as escondidas do crescente império francês, liderado por Napoleão Bonaparte, por quem Beethoven durante anos teve muito apreço ( Em um texto futuro poderemos entender melhor a relação entre esses dois fortes personagens ). O famoso tema tercinado (  PA- PA-PA -PAAA) e os fortes contrastes de dinâmica dão a tônica de um discurso inquieto e revolucionário e ao mesmo tempo reprimido pela força do império. Tema este, que acompanha a música na integra dos quatro movimentos.

A grande magia por trás de toda a interpretação e descoberta esta na ligação dos seguintes tópicos ;

  • Realidade social
  • Perspectiva de cada compositor
  • A transformação da realidade em "material musical"

O maior retrato de todo um comportamento esta na análise das manifestações culturais. Dai uma consideração muito importante. A música não deve ser pensada separadamente dos acontecimentos na literatura, nas artes plásticas ou nas artes cênicas. 
A riqueza da união de todas as artes culminam em um universo infinito e cheio de possibilidades. Vamos , atraves deste espaço, discutir música em um sentido amplo, sem preconceitos e demagogia. A  música, como ela é. Da audição aos "efeitos colaterais". Com paixão, rigor e transparência.

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Bela adormecida,
Padece na memória,
Quietude...

Pouco 
a
Pouco
Destrói
Nos destrói
De tanta bel
eza.