terça-feira, 12 de novembro de 2013

Sobre as amizades

 Existe o cuidar, de fato. Mas também existe a evolução, a mudança, o término e o início de novos ciclos. As afinidades, as ambições, os interesses. Tudo muda. Estamos em constante mudança. Sobretudo nós, artistas, na incessante busca pela reinvenção diária de nós mesmos. Um amor se reinventa. Um amor nasce e se multiplica. Um amor nos enriquece. Uma amizade, infelizmente , não pressupõe um amor. Mas um amor, felizmente, pressupõe uma amizade.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Só eu sei
Melhor do que ninguém
O que se passa dentro de mim
Estranho enfim

Só, eu sei
O quanto é ruim
Camuflar o sol natural
Com raios de luz artificial

Só eu sei
O brilho é reluzente
Mas traz consigo seu espanto
Aquilo que não se vê
Que se cale em seu pranto

Só, eu sei
O quanto dói na seca ardente
Saciar a sede com água
O brotar da semente
Que do amor não é

Só eu sei
Estar não é possível
E hesitar é impossível
Nesse céu de tantas alegrias
Uma estrela alcançar

Só eu sei
Do prazer e do desprezo
Da humilhação e do orgulho
Que é vencer a guerra
Sem ter um oponente

Só eu sei
O coração é um enigma
O cérebro uma incógnita
Do mistério do amor e da mente

Só eu sei 

A gente se alimenta...

A arte se alimenta de arte que se alimenta da gente que se alimenta de arte !


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Andorinhas

Andorinhas - Texto sobre como se posicionaram nossos queridos governantes, perante ao nosso grito

Andorinhas

Já davam risadas a prazo
No aconchego da humilde residência
De pobre espírito e de largo bolso
De papo gago e longo silêncio
Já não é verão

Não sabes

Não sabes
Porque me calo
Porque me sinto
Porque me nego
Porque me vejo
Silêncio
Porque me calo
Não sabes


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Passarinho

Passarinho

Passarão, a nossa fome
Passarão, a nossa miséria
Passarão, a mesmice e a ignorância
Passarão, os absurdos, a cólera , a guerra.
Passarão, as marionetes inócuas e as lacunas do saber
Passarinho eu , você e todos os que se querem bem,
Joãos, Marias, Josés e Quintanas também.
Passarinho o sorriso, o abraço, o amor
Passarinho a paz que se perpetue.
Mesmo que para isso, a guerra !

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Sobre

"Ao que nos cabe, seres humanos serenos e de paz, a rendição ao gigantesco Celeste. Pelo que se sente, se anseia e se arde. 
Na solitude acompanhada, e na companhia desta mesma que se ausenta. Tens sempre uma senhora."


Sobre todas as coisas, 
O céu, sobre o mar
Sobre amar,
Sobre amor.

Pense nisso

terça-feira, 7 de maio de 2013

Cronos

Devora-me o tempo
Devorado de dor
Devora-se o tempo
De todo o tempo que se passou
De todo tempo que se restou
De todo o tempo que não passou
Do tempo devorado antes de existir
Da existência do pouco tempo
Da desistência em função do tempo
Do tempo que não é tempo
É maior que tempo
E este, devora-te também.


segunda-feira, 11 de março de 2013

Um sonho


Um sonho, se alimenta de todos os sonhos.
Que se alimentam de sonhos.
Que se alimenta de sonho.
Que se alimenta de sono.
Que se alimenta de som.
Que se alimenta de
Que se alimenta.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Depois de um longo verão...


José e João

É chegada então a hora da refeição
João e José , irmãos e companheiros de fé
Descem a pé,
Vão comer no bar do Mané

João pede feijão
José come carré
Os dois misturam com a porção de arroz
O suco é pra depois...
Filho de Deus só brinda nos finais de semana

João escuta um barulhão
Ele até larga o garfo da mão
E como não é o foco da sua visão
Levanta pra ver
Curioso o menino

José da no pé
Tem medo do mundo , pois é
A noticia vem mais tarde
Medroso

O irmão de José, João
Vê no chão , o vinho tinto do corpo
Percebe então,
Que era sangue de ladrão
Volta pra casa
Curiosidade mata

José nem paga o Mané
Corre pra casa, machuca o pé
Bate no carro de ré
Conta tudo pro Bené

João, teimoso demais
Esquece até que é bom rapaz
Se mete em cada furada
Fuçou demais,
Acabou numa cilada

Pegou a arma do irmão
Tentou ser herói de latão
Foi pego no ato e virou ladrão

Deu tiro na velha , no moço e no osso
Do pé , da mão e do irmão
Curiosidade traiçoeira
Jogado no chão.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Visco Luminoso


Sugiro a seguinte leitura, acompanhada da seguinte música :
Lady - Regina Spektor : http://www.youtube.com/watch?v=80ZhVqFUwA0

Visco Luminoso

Vazio o corpo crente na fuga eterna e negra
Das dores , meros gritos de um sonho
Ou doce pesadelo à perturbar o Engenho
De Senhores e Criados a remar sob uma única direção

Sinto frio arranhar o corpo
Espetar com farpas finas
A estúpida grosseria
De um vasto e largo povoado

Onde a cada grão por esperar o fruto
A chama gelada nos brinda o desprazer
Donde a luz que é feita d’água
Sumir do brilhar ao esplandecer

Colheita sangrenta dos que pouco crêem
Na ambígua missão ao destino “in certo”
Sorrindo pela esperança
De uma eterna busca pelo fim

Vejo fartos anseios
Pelo motivo a não se esperar
Brinco , xingo ,grito e bebo
Não só pelo receio
Mas para um novo dia
Assim nascer

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Replica à soneto da fidelidade


Aqui vai um ato audacioso. Em meio a devaneios e questões intensamente racionais, me coloquei a discutir com o poeta ( Vinícius). 
Hoje, leio e vejo aqui estampado a arrogância do jovem que nada entende e se coloca a se achar mais sábio/verdadeiro. 
Mas ainda assim, vale a pena ler.

REPLICA À SONETO DA FIDELIDADE

Breno Ampáro

Seja imortal posto que é Amor
Escorrer de uma nova vida
Ao ato de renovação a cada instante
Brindar aos humildes corações
Nobres a se tornarem
Honrados pelo Soberano
Composto de imperfeições genuinamente perfeitas
Da felicidade suprema, disfarçada em sorrisos sublimes
Ao perdão absoluto , indiscutivelmente verdadeiro
Dos momentos inertes , muito será dito
Ao silêncio o faz existir
Sangrar em seu corpo
A vida minha que se faz tua
De uma semente a nascerem flores
Entrego-me ao perfume a respirar
À Colher cada grão germinado
Na luz Divina o alento
Por todo o caminho ao Paraíso
A eternidade.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cada canto




Quando conto cada canto
Da cada história pra contar
Quando canto cada conto
Quando cada conto canta um canto
Quando o canto de cada canto tem uma história
Uma história nova para se cantar
E a nova história em novo canto
Do mesmo canto que veio o primeiro canto
E assim por dizer também veio o conto
E também veio o homem
Que pra cada história que canto
Tem sempre um canto pra sonhar

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Levando a vida na flauta

 Na mão o coração
Na cabeça o desejo
No olho a pauta
Levando a vida na flauta

Mas sem choro, nem sofrimento
Quando pensa Pixinguinha
É alegria, não lamento

Mas se então a flauta, a vida levar
Ai sim, tereis de cantar
Chorar, lamentar, soprar e soprar
 Mas se o ar acabar?

Levando a vida na flauta
A flauta levando a vida
Não vai trabalhar?
Eis o trabalho,
Fazer a flauta cantar.

Disciplina

Eis que a disciplina supera o fracasso, o medo e as incertezas, quando combinada com sonho.

Pense nisso.