Como plataforma de prática de escrita, converto aqui o blog que antes pairava sobre o universo da ideia, para um conteúdo concreto e substancialmente real, o da pesquisa. As glosas que pretendo agora comentar são construídas na base da leitura de títulos de Mário de Andrade, bem como artigos e epístolas.
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Sobre as amizades
Existe o cuidar, de fato. Mas também existe a evolução, a mudança, o término e o início de novos ciclos. As afinidades, as ambições, os interesses. Tudo muda. Estamos em constante mudança. Sobretudo nós, artistas, na incessante busca pela reinvenção diária de nós mesmos. Um amor se reinventa. Um amor nasce e se multiplica. Um amor nos enriquece. Uma amizade, infelizmente , não pressupõe um amor. Mas um amor, felizmente, pressupõe uma amizade.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Só
Só eu sei
Melhor do que
ninguém
O que se
passa dentro de mim
Estranho
enfim
Só, eu sei
O quanto é
ruim
Camuflar o
sol natural
Com raios de
luz artificial
Só eu sei
O brilho é
reluzente
Mas traz
consigo seu espanto
Aquilo que
não se vê
Que se cale
em seu pranto
Só, eu sei
O quanto dói
na seca ardente
Saciar a sede
com água
O brotar da
semente
Que do amor
não é
Só eu sei
Estar não é
possível
E hesitar é
impossível
Nesse céu de
tantas alegrias
Uma estrela
alcançar
Só eu sei
Do prazer e
do desprezo
Da humilhação
e do orgulho
Que é vencer
a guerra
Sem ter um
oponente
Só eu sei
O coração é
um enigma
O cérebro uma
incógnita
Do mistério
do amor e da mente
Só eu sei
A gente se alimenta...
A arte se alimenta de arte que se alimenta da gente que se alimenta de arte !
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Andorinhas
Andorinhas - Texto sobre como se posicionaram nossos queridos governantes, perante ao nosso grito
Andorinhas
Já davam risadas a prazo
No aconchego da humilde residência
De pobre espírito e de largo bolso
De papo gago e longo silêncio
Já não é verão
Andorinhas
Já davam risadas a prazo
No aconchego da humilde residência
De pobre espírito e de largo bolso
De papo gago e longo silêncio
Já não é verão
Não sabes
Não sabes
Porque me calo
Porque me sinto
Porque me nego
Porque me vejo
Silêncio
Porque me calo
Não sabes
Porque me calo
Porque me sinto
Porque me nego
Porque me vejo
Silêncio
Porque me calo
Não sabes
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Passarinho
Passarinho
Passarão, a nossa fome
Passarão, a nossa miséria
Passarão, a mesmice e a ignorância
Passarão, os absurdos, a cólera , a guerra.
Passarão, as marionetes inócuas e as lacunas do saber
Passarinho eu , você e todos os que se querem bem,
Joãos, Marias, Josés e Quintanas também.
Passarinho o sorriso, o abraço, o amor
Passarinho a paz que se perpetue.
Mesmo que para isso, a guerra !
Passarão, a nossa fome
Passarão, a nossa miséria
Passarão, a mesmice e a ignorância
Passarão, os absurdos, a cólera , a guerra.
Passarão, as marionetes inócuas e as lacunas do saber
Passarinho eu , você e todos os que se querem bem,
Joãos, Marias, Josés e Quintanas também.
Passarinho o sorriso, o abraço, o amor
Passarinho a paz que se perpetue.
Mesmo que para isso, a guerra !
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Sobre
"Ao que nos cabe, seres humanos serenos e de paz, a rendição ao gigantesco Celeste. Pelo que se sente, se anseia e se arde.
Na solitude acompanhada, e na companhia desta mesma que se ausenta. Tens sempre uma senhora."
O céu, sobre o mar
Sobre amar,
Sobre amor.
Pense nisso
terça-feira, 7 de maio de 2013
Cronos
Devora-me o tempo
Devorado de dor
Devora-se o tempo
De todo o tempo que se passou
De todo tempo que se restou
De todo o tempo que não passou
Do tempo devorado antes de existir
Da existência do pouco tempo
Da desistência em função do tempo
Do tempo que não é tempo
É maior que tempo
E este, devora-te também.
Devorado de dor
Devora-se o tempo
De todo o tempo que se passou
De todo tempo que se restou
De todo o tempo que não passou
Do tempo devorado antes de existir
Da existência do pouco tempo
Da desistência em função do tempo
Do tempo que não é tempo
É maior que tempo
E este, devora-te também.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Um sonho
Um sonho, se alimenta de todos os sonhos.
Que se alimentam de sonhos.
Que se alimenta de sonho.
Que se alimentam de sonhos.
Que se alimenta de sonho.
Que se alimenta de
sono.
Que se alimenta de som.
Que se alimenta de
Que se alimenta.
Que se alimenta de som.
Que se alimenta de
Que se alimenta.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Depois de um longo verão...
José e João
É chegada então a hora da refeição
João e José , irmãos e companheiros de fé
Descem a pé,
Vão comer no bar do Mané
João pede feijão
José come carré
Os dois misturam com a porção de arroz
O suco é pra depois...
Filho de Deus só brinda nos finais de semana
João escuta um barulhão
Ele até larga o garfo da mão
E como não é o foco da sua visão
Levanta pra ver
Curioso o menino
José da no pé
Tem medo do mundo , pois é
A noticia vem mais tarde
Medroso
O irmão de José, João
Vê no chão , o vinho tinto do corpo
Percebe então,
Que era sangue de ladrão
Volta pra casa
Curiosidade mata
José nem paga o Mané
Corre pra casa, machuca o pé
Bate no carro de ré
Conta tudo pro Bené
João, teimoso demais
Esquece até que é bom rapaz
Se mete em cada furada
Fuçou demais,
Acabou numa cilada
Pegou a arma do irmão
Tentou ser herói de latão
Foi pego no ato e virou ladrão
Deu tiro na velha , no moço e no osso
Do pé , da mão e do irmão
Curiosidade traiçoeira
Jogado no chão.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Visco Luminoso
Sugiro a seguinte leitura, acompanhada da seguinte música :
Lady - Regina Spektor : http://www.youtube.com/watch?v=80ZhVqFUwA0
Lady - Regina Spektor : http://www.youtube.com/watch?v=80ZhVqFUwA0
Visco Luminoso
Vazio o corpo crente na fuga eterna e negra
Das dores , meros gritos de um sonho
Ou doce pesadelo à perturbar o Engenho
De Senhores e Criados a remar sob uma única direção
Sinto frio arranhar o corpo
Espetar com farpas finas
A estúpida grosseria
De um vasto e largo povoado
Onde a cada grão por esperar o fruto
A chama gelada nos brinda o desprazer
Donde a luz que é feita d’água
Sumir do brilhar ao esplandecer
Colheita sangrenta dos que pouco crêem
Na ambígua missão ao destino “in certo”
Sorrindo pela esperança
De uma eterna busca pelo fim
Vejo fartos anseios
Pelo motivo a não se esperar
Brinco , xingo ,grito e bebo
Não só pelo receio
Mas para um novo dia
Assim nascer
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Replica à soneto da fidelidade
Aqui vai um ato audacioso. Em meio a devaneios e questões intensamente racionais, me coloquei a discutir com o poeta ( Vinícius).
Hoje, leio e vejo aqui estampado a arrogância do jovem que nada entende e se coloca a se achar mais sábio/verdadeiro.
Mas ainda assim, vale a pena ler.
REPLICA À SONETO DA
FIDELIDADE
Breno
Ampáro
Seja
imortal posto que é Amor
Escorrer
de uma nova vida
Ao
ato de renovação a cada instante
Brindar
aos humildes corações
Nobres
a se tornarem
Honrados
pelo Soberano
Composto
de imperfeições genuinamente perfeitas
Da
felicidade suprema, disfarçada em sorrisos sublimes
Ao
perdão absoluto , indiscutivelmente verdadeiro
Dos
momentos inertes , muito será dito
Ao
silêncio o faz existir
Sangrar
em seu corpo
A
vida minha que se faz tua
De
uma semente a nascerem flores
Entrego-me
ao perfume a respirar
À
Colher cada grão germinado
Na
luz Divina o alento
Por
todo o caminho ao Paraíso
A
eternidade.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Cada canto
Quando conto cada canto
Da cada história pra contar
Quando canto cada conto
Quando cada conto canta um canto
Quando o canto de cada canto tem uma história
Uma história nova para se cantar
E a nova história em novo canto
Do mesmo canto que veio o primeiro canto
E assim por dizer também veio o conto
E também veio o homem
Que pra cada história que canto
Tem sempre um canto pra sonhar
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Levando a vida na flauta
Na mão o coração
Na cabeça o desejo
No olho a pauta
Levando a vida na flauta
Mas sem choro, nem sofrimento
Quando pensa Pixinguinha
É alegria, não lamento
Mas se então a flauta, a vida levar
Ai sim, tereis de cantar
Chorar, lamentar, soprar e soprar
Mas se o ar acabar?
Levando a vida na flauta
A flauta levando a vida
Não vai trabalhar?
Eis o trabalho,
Fazer a flauta cantar.
Disciplina
Eis que a disciplina supera o fracasso, o medo e as incertezas, quando combinada com sonho.
Pense nisso.
Pense nisso.
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